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Artigos

Reflexões sobre o processo criativo acerca das artes plásticas

Davey Woituski*

RESUMO:


O processo criativo tem quatro fases. Primeiro nós temos a concepção, que é ter idéias, depois nós temos a materialização, que acontece quando registramos nossas idéias, em seguida temos a interpretação dessas idéias, para finalmente chegarmos à reinterpretação que acontece quando alguém vê a idéia sob alguma forma: pintura, escultura, etc, e vai reinterpretar isso, vai investigar a realidade que o artista fez, mas de acordo com as experiências dela. Este é o processo que vamos investigar a partir de agora.

Palavras-chave:
Arte, artes plásticas, desenho, criatividade.


RESUMEN:


El proceso creativo tiene cuatro fases, primero nosotros tenemos la concepción que es tener ideas, después nosotros tenemos la materialización, que ocurre cuando registramos nuestras ideas, enseguida tenemos la interpretación de esas ideas, para finalmente llegarmos a la reinterpretación que ocurre cuando alguien ve la idea bajo alguna forma: pintura, diseño, escultura, etc, y va reinterpretarlo, va investigar la realidad que el artista hizo, pero de acuerdo con sus experiencias. Este es el proceso que vamos investigar a partir de ahora.

Palabras-llave:
Arte, artes plásticas, diseño, creatividad.

*Professor, Especialista em História da Arte – UNISUL. Formado em Publicidade e Propaganda – UNISUL.


1. INTRODUÇÃO

“Arte, cosa mentale”. (MORAIS, 1998, p. 147), já dizia um dos maiores gênios de toda humanidade, o Renascentista Italiano Leonardo da Vinci (1452 – 1519).
A arte é muito mais um processo mental do que uma habilidade de coordenação motora, ela acontece primeiro em nossa mente para posteriormente ser materializada sob alguma forma, seja desenho, pintura, escultura, música...

Se a arte acontece primeiro em nossa mente, o que é necessário para se fazer arte? Para sermos criativos? Simples! Pensar. Ninguém vai criar nada se não pensar. Parece estranho, mas quantas pessoas têm preguiça de pensar, se subestimam ou não pensam porque não sabem como proceder?

Se não pensarmos, viveremos na condição de massa, aquela de gostos, comportamentos, conhecimentos, habilidades padronizadas por veículos de massa – rádio, televisão, jornal... – ou pelo senso comum, é mais fácil, mais cômodo ser igual a todo mundo – moldados à vontade dos poucos que detêm o poder. É preciso ter coragem e autoconfiança para desafiar esses padrões, esses sistemas.

A pessoa criativa pode ser amaldiçoada naquelas culturas que valorizam muito mais a adaptação a um modelo de comportamento culturalmente padronizado. O mesmo ocorre na história de Fernão Capelo Gaivota, de Richard Back, ou no Mito da Caverna de Platão.

Mas, se pensarmos, iremos nos desenvolver, crescer, produzir, aprender, mudar, vamos viver a condição mais nobre do ser humano, que é a capacidade de Criar.
Segundo Roberto Shinyashiki, o ser humano pode encontrar-se em três condições: como árvore, bicho ou gente.

O ser humano tem toda a criatividade do mundo, mas infelizmente muitas pessoas simplesmente vegetam. Vivem como árvores. Paradas em casa, esperando pelo dia da libertação que nunca chega. Outras vivem como bichos: não pensam, não vêem significado nos acontecimentos da vida, simplesmente repetem os dias. A árvore fica parada esperando o tempo passar, aguardando que o passarinho volte, que traga o pólem que irá fecundála. O animal é uma evolução dessa dinâmica da existência: tem movimento, vai atrás do que quer, mas repete infidavelmente seus atos, não cria nada. A melhor teia que uma aranha constrói é aquela que toda a sua espécie faz há séculos. Quando o ser humano fica em casa, parado, esperando que as coisas aconteçam, regride ao estado de árvore. Quando simplesmente repete o que sempre fez, regride à condição de bicho. Árvore espera, bicho repete, gente cria! Quando o ser humano é criativo, ele tem sensibilidade e transforma o mundo (...). (SHINYASHIKI, 2000, p. 182)
Para ter opções criativas então é preciso pensar, adotar uma atitude crítica em relação ao mundo, à realidade que nos cerca. As idéias são fruto da reflexão sobre a realidade e são estimuladas pela necessidade.

Comece olhando à sua volta, olhe para si mesmo e diga: isso me interessa, isso eu conheço, isso pode dar um bom trabalho. Se não pensar, não vai criar nada.
“Nosso mal não é a ignorância, mas a inércia”. (CARNEGIE, 2000, p.18). Essa preguiça pode ser tanto mental, quanto física.

Segundo Philip Hallawell, podemos dividir o Processo Criativo em quatro etapas: Concepção, Materialização, Interpretação e Reinterpretação.


2. PRIMEIRO PASSO – A CONCEPÇÃO


A primeira etapa é a da Concepção, ocorre na mente, é a primeira idéia, a escolha de um assunto, um tema, uma idéia chave. Normalmente essa idéia, essa busca por algo que ainda não está totalmente claro, mas que inconscientemente sabe-se o que é – “Sinto que estou caminhando para o que quero, antes de saber o que quero”. (FERNANDES, 1998, p. 120). “A sua intuição pode levá-lo aonde você deseja ir”. (FERNANDES, 1998, P. 64) – vem de encontro a uma série de atividades relacionadas com as áreas de interesse do criador.

Gardner descreve bem o perfil de um indivíduo criativo.

Uma pessoa criativa busca relacionar vários fatos e teorias espalhadas por sua área de interesse, a fim de chegar a uma síntese coerente e abrangente. Além disso, um indivíduo criativo tipicamente gera uma rede de atividades, um complexo de buscas, que engajam sua curiosidade por longos períodos. Essas atividades usualmente sustentam umas às outras e dão lugar a uma vida criativa inacreditavelmente ativa (...). Além desse acúmulo de atividades, o indivíduo criativo também busca ou é buscado por algumas metáforas dominantes. Essas figuras são imagens de amplo escopo, ricas e suscetíveis à considerável exploração, expondo o investigador a aspectos de fenômenos que poderiam, de outro modo, permanecer invisíveis para ele. (GARDNER, 1999, p. 248)

O artista só vai criar conforme sua experiência de vida.
O que é um artista? Um grande ser humano. Uma coisa está intimamente ligada à outra. Nenhum artista inventa uma experiência de vida. É impossível. Em arte, só expressamos a nossa experiência de vida e não outra coisa. É preciso ler a vida na obra de arte. Esta não é só ilustração de problemas teóricos, de equações. A obra existe antes da teoria, é o resultado de alguma vivência (...). (OSTROWER, apud MORAIS, 1998, p. 60)

Segundo Gardner, os artistas possuem uma característica comum, o de valorizar sua subjetividade - o que lhe vai na alma –, experiências, lembranças, recriando estados emocionais; além disso, lembra-nos sobre os constantes elementos de inspiração que os artistas costumam procurar, sob a forma de situações ou fetiches – objeto de desejo – a fim de potencializarem seus insights – aqueles momentos quando descobrimos a solução para um problema – sua criatividade, “... a ausência de sentimentos fortes e de experiências sugestivas irá impedir o espírito criativo, mas o oferecimento de estímulos certos pode evocar uma torrente de criatividade”. (GARDNER, 1999, p. 293)
Após ter a idéia principal, essa idéia ainda fica algum tempo em nossa mente, como em um período de incubação, onde são feitas seleções, associações, analogias, pesquisas de mais informações, um jogo consciente e inconsciente para o amadurecimento das idéias.

Como na memória não se pode confiar, anote tudo; dizia Leonardo da Vinci. Podemos verificar isso em suas frases:

“Aquele que acredita que em sua memória pode conservar todos os detalhes da natureza, se engana, porque ela não tem tal capacidade; assim, em tudo é mister confrontar com o modelo”. (O PENSAMENTO, 1985, p. 72)

(...) Observa tudo e faz um esboço a lápis, o mais depressa que te for possível, num caderno que deves sempre trazer contigo. Quando esse caderno estiver cheio, arranje outro, mas põe o primeiro à parte e conserva-o cuidadosamente (...). (O PENSAMENTO, 1985, p. 96)


3. SEGUNDO PASSO – A MATERIALIZAÇÃO


Segundo a Doutora Betty Edwards, em seu livro Desenhando com o lado direito do cérebro, só existe uma maneira de se fazer um desenho realista por observação realmente bom, é utilizando o lado direito do cérebro. Neste livro, ela destingue as funções específicas dos hemisférios esquerdo e direito do cérebro. Como resultado de suas experiências e pesquisas conclui que o desenho não é o único, mas é uma das atividades mais eficazes para o desenvolvimento dos atributos do hemisfério direito do cérebro como a intuição, criatividade, noção espacial, sensibilidade estética, percepção holística, visão – ver com clareza e profundidade cada vez maiores –, pensamento analógico – comparação, enfim desenhar é uma das atividades mais eficazes para o maior desenvolvimento da inteligência.

(...) as artes são essenciais para desenvolver o raciocínio específico visual e perceptivo, tanto quanto ler, escrever e contar são imprescindíveis para o desenvolvimento analítico. Creio que ambos os tipos de raciocínio – um para a compreensão dos detalhes e o outro para “enxergar” o quadro inteiro, por exemplo – sejam cruciais para a formação de um pensamento crítico, a extrapolações de significados e a resolução de problemas. (EDWARDS, 2003, p. 12)

O Hemisfério Esquerdo processa as informações de forma verbal – é responsável pela fala, pela escrita, por dar nomes às coisas, usa as palavras para designar, descrever, definir; digital – faz cálculos matemáticos, usa números, como no ato de contar; racional – tira conclusões baseadas na razão e nos fatos; lógica – tira conclusões baseadas na lógica: uma coisa segue outra em ordem lógica – como, por exemplo, num teorema matemático ou num argumento bem-enunciado; abstrata – seleciona uma pequena parte das informações e a usa para representar o todo; simbólica – usa símbolos para representar coisas. Por exemplo, o sinal + representa o processo de adição; linear – pensa em termos de idéias concatenadas, um pensamento se seguindo diretamente a outro e quase sempre levando a uma conclusão convergente; analítica – concebe as coisas passo a passo, componente por componente; temporal – marca o tempo, colocando as coisas em seqüência. Faz primeiro o que vem em primeiro lugar, depois o que vem em segundo lugar etc.

O Hemisfério Direito processa as informações de forma não-verbal – percebe as coisas com um mínimo de conexão de palavras, não pensa em palavras; sintética – agrupa as coisas para formar um todo; holística – apreende as coisas integralmente, de uma só vez, percebe configurações e estruturas globais, o que muitas vezes o leva a conclusões divergentes; não-racionais – não precisa se basear na razão ou nos fatos, não se apressa a formar julgamentos ou opiniões; intuitiva – assimila as coisas “aos pulos”, muitas vezes à base de amostras incompletas, palpites, pressentimentos ou imagens visuais; analógica – vê as semelhanças entre as coisas, compreende relações metafóricas; espacial – vê onde as coisas se situam em relação a outras e como as partes se unem para formar o todo; concreta – concebe cada coisa como ela é no momento; não-temporal – não tem senso de tempo.

As pessoas criativas estão sempre reconhecendo as diferenças entre os dois processos de coletar os dados e transformando estes dados de maneira criativa. A neurociência agora está iluminando esse processo dual. Sugiro que o conhecimento dos dois lados do cérebro é uma etapa importante para liberar o potencial criativo. (...) Na modalidade de processamento de informações características do hemisfério direito usamos a intuição e compreendemos aos pulos – há momentos em que “tudo parece se encaixar” sem que precisemos examinar as coisas numa seqüência lógica. (EDWARDS, 2003, p. 60 – 61)

Muitas vezes o processo criativo, as grandes idéias, as descobertas de soluções de problemas se dá através de imagens, metáforas, através de formas visuais e não-verbais.

“Na história das invenções muitas idéias surgiram com pequenos esboços”. (EDWARDS, 2003, p. 59). Dentre muitos inventores podemos citar Galileu Galilei, Thomas Jefferson, Michael Faraday e Thomas Edison.

Roger N. Shepard, professor de Psicologia da Universidade de Stanford, na Inglaterra, descreveu recentemente sua modalidade pessoal de pensamento criativo no qual as idéias de pesquisa lhe ocorriam como soluções de problemas que ele vinha buscando há muito tempo. Essas soluções lhe surgiram sob forma não-verbal e essencialmente completas. (EDWARDS, 2003, p. 29)

O fato de que, nesses rasgos de iluminação, minhas idéias assumissem principalmente uma forma visual-espacial, sem qualquer intervenção verbal perceptível, está perfeitamente de acordo com aquilo que sempre foi o meu método favorito de raciocínio. (...) – Desde a infância, passei muitas de minhas horas mais felizes absorto no desenho, burilando, ou fazendo exercícios de visualização puramente mental. (ROGER, apud EDWARDS, 2003, p. 29)

A história da ciência está repleta de casos de pesquisadores que tentaram repetidamente resolver um problema e, depois, tiveram um sonho no qual a solução surge sob a forma de uma metáfora que o cientista compreendeu intuitivamente. (EDWARDS, 2003, p. 59)

Thomas Edison tinha o hábito de ficar sentado em uma cadeira. Abria as duas mãos em forma de concha para cima e colocava uma bolinha metálica em cada mão. Embaixo das duas mãos, no chão, ele punha uma panela metálica. Edison montava esse sistema para ser acordado assim que começasse um leve cochilo. Uma das mãos deixava cair a bolinha metálica e o barulho o acordava. Ele sabia que suas melhores idéias surgiam quando estava mais perto do inconsciente e, nesse momento, ele já estava com caneta e papel preparado para receber as idéias. É muito comum as pessoas receberem idéias do seu inconsciente quando estão deitadas, começando a dormir ou quase acordando. As pessoas que conseguem criar sabem que nesses momentos é preciso ter uma caneta e um bloco na cabeceira da cama. As pessoas que não têm o costume de anotar suas idéias não conseguem lembrar delas. Mas o mais importante é que, ao escreve-las, o seu inconsciente comece a lhe trazer outras idéias. Se você não anotá-las, pode acontecer de conseguir lembrar delas, mas raramente surgem outras idéias. (FERNANDES, 1998, p. 83)

“Desenho, pai de todas as artes”, diziam os renascentistas italianos, que o tinham como instrumento irrenunciável para a fixação da idéia e do desenvolvimento de qualquer projeto artístico, fosse ele pintura, escultura, arquitetura.

O segundo passo, a Materialização, acontece quando você coloca suas idéias no papel sob forma de desenhos, palavras, anotações, desenvolvendo e amadurecendo ainda mais as idéias. Esses esboços podem ser feitos e refeitos várias vezes, modificando-os até atingir um ideal.


4. TERCEIRO PASSO – A INTERPRETAÇÃO

Em alguns casos como na Arte Gestual, no Abstrato, no Expressionismo, a Interpretação acontece ao mesmo tempo que a Materialização.
No caso da Música, por exemplo, existe o compositor, que é a pessoa que cria a música. Este pode ser também o intérprete ou não, o compositor faz a música e outra pessoa a interpreta. O intérprete vai tentar reproduzir certas emoções, sentimentos, mensagens que o compositor quis transmitir.

No caso das Artes Plásticas, o Artista Plástico é ao mesmo tempo compositor e intérprete.

É na fase da Interpretação que o Artista executa o trabalho, vai colocar toda sua emoção, sentimento, espontaneidade, intuição, criatividade, que serão vistas na expressividade de suas cores, linhas, pinceladas, formas, luzes, etc.

Não caracteriza-se como objetivo da Interpretação a representação fiel do que foi planejado na Materialização. Algumas vezes, essa Interpretação pode ser tão espontânea e intuitiva que fuja em muito ao planejamento inicial.

Para que a obra exerça verdadeiramente seu papel de Arte, seja fazendo o espectador pensar, refletir, sentir, comunicando idéias, sentimentos, à maneira como o artista vê a Arte e o mundo, a obra precisa ter bons elementos – o artista precisa ter um domínio profundo dos elementos visuais, da linguagem visual e da técnica que vai usar, para fazer com que a obra funcione, por exemplo, ninguém lê um livro mal escrito, ou um quadro mal pintado, não é? No caso de um livro mal escrito, o máximo que uma pessoa irá ler serão as primeiras páginas, até se dar conta dos erros que este contém, mesmo que o assunto seja para ele altamente interessante. Da mesma forma que para o escritor a palavra é sua principal ferramenta de trabalho, os elementos visuais são para o Artista.

Portanto, o artista, além do domínio técnico, ou seja, dos materiais que utiliza, deverá ter um grande conhecimento de como funciona a linguagem visual, os elementos visuais: linha, superfície, volume, luz, cor.

Grandes gênios da história, como Picasso e Mozart, conseguiram a excelência de seus trabalhos através de uma incessante pesquisa e experimentação. (Persistência).
Quando perguntaram a Thomas Edison o que ele sentia por ter fracassado 999 vezes na construção da lâmpada, ele respondeu: “Eu não fracassei 999 vezes, eu descobri 999 maneiras de como a lâmpada não funciona”.

Referente ao mito da inspiração, é fácil fazer uma analogia com grandes músicos, artistas plásticos, até mesmo publicitários e descobrir que muitas de suas grandes obras foram feitas sob encomenda, por necessidade de uma constante produção ou com curtos prazos de entrega, de forma que, se esperassem para produzir somente quando a inspiração viesse, morreriam de fome.

Tomas Edison, em uma de suas célebres frases a respeito da criatividade disse: “Para ter idéias criativas são necessários 1% de inspiração e 99% de transpiração”.

Como na Arte não existem regras, o artista pode expressar-se da maneira e da forma que quiser, conforme seu objetivo, o mais importante é ser criativo e expressivo. Muitos dos assuntos das obras de Arte hoje em dia é a própria linguagem visual.


5. QUARTO PASSO – A REINTERPRETAÇÃO

A Reinterpretação acontece quando o espectador vê, lê ou ouve uma obra e faz sua leitura, sua Reinterpretação, segundo seus conhecimentos, sua experiência de vida, seus valores, suas crenças, se a obra estiver funcionando como arte vai servir de estímulo para ele pensar, refletir, sentir.

O mundo, a realidade que cercam o artista, são o que o estimulam a criar, mas a fonte de estímulo para o espectador é a obra.

O artista tem o poder de conduzir o espectador para pensar de modo determinado, mas cada indivíduo reage de forma diferente, de acordo com suas experiências, personalidade e estado de ânimo.

Mesmo quando um trabalho provoca pensamentos novos, esses serão examinados de acordo com experiências anteriores.

A mágica da Arte é justamente isso, o poder de estimular cada pessoa de uma forma diferente.

O objetivo do artista é estimular o público, o espectador, mas nunca saberá que efeito vai produzir e não deve se preocupar com isso, deve procurar sim, ser autêntico e ter o domínio sobre a linguagem e a técnica que utiliza, assim estará no caminho certo para ser verdadeiramente criativo.

Philip Hallawell orienta como exercitar sua criatividade: Em primeiro lugar você não vai conseguir nada se não refletir e observar muito. Desenhe tudo aquilo que lhe interessar visualmente e experimente com várias técnicas, depois você precisa organizar suas idéias.


6. CONCLUSÃO


Mais difícil do que dominar os fundamentos e as técnicas é ter idéias e encontrar soluções plásticas para essas idéias. É difícil saber como usar os fundamentos e as técnicas em função de idéias.

O valor de uma obra de arte está na complexidade do seu conteúdo, na qualidade da sua realização e no seu poder de estímulo para o espectador. O artista plástico quer estimular o espectador: estimulá-lo a pensar a respeito do seu assunto, estimulá-lo a sentir e estimulá-lo visualmente. Como essa não é uma tarefa fácil, a obra de arte bem realizada é altamente valorizada.

Como ter idéias é um assunto de grande complexidade, em primeiro lugar, para ter idéias é preciso pensar. No entanto, muitas pessoas ignoram essa obviedade, porque a preguiça mental assola o homem moderno, acostumado às idéias padronizadas. A liberdade de poder pensar o que e como quiser pode assustar, por causa desse condicionamento intelectual. Podemos dizer que entre as premissas de uma pessoa criativa estão o cultivo da atitude de que a mudança tem que ser um hábito e que tudo pode ser melhorado. Aprender cada vez mais, viver, sentir, ser autêntico, fiel aos seus pensamentos, intuições, emoções, procurar soluções próprias e apropriadas às suas idéias são uns dos caminhos, pois ninguém dá o que não tem.

Portanto, o primeiro passo é criar uma atitude crítica em relação à realidade à sua volta. Questione tudo, inclusive a si mesmo! Pergunte-se o que o interessa, do que você gosta, o que o preocupa e por quê. Desenhe criticamente, pensando, questionando seus sentimentos, suas emoções e suas reações, e, aos poucos, as idéias surgirão.


REFERÊNCIAS


EDWARDS, Betty. Desenhando com o lado direito do cérebro. Rio de Janeiro: Ediouro: 2003.

FERNANDES, Maury Cardoso. Criatividade. São Paulo: Futura, 1998.

GARDNER, Howard. Arte, mente e cérebro. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999.

HALLAWELL, Philip Charles. À mão livre. São Paulo: Companhia Melhoramentos, 1994.

MORAIS, Frederico. Arte é o que eu e você chamamos arte. Rio de Janeiro: Record, 1998.

O PENSAMENTO vivo de Da Vinci. Rio de Janeiro: Ediouro, 1985.

SHINYASHIKI, Roberto. Os donos do futuro. São Paulo: Infinito, 2000.





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